Nesta terra de ninguém
Nesse medo do cão
Onde a crise faz alguém
Mas ninguém deixa a emoção

Da terra ceder
Da planta crescer
Da esperança que água vai brotar
Vida viva e louca vá

Para um lugar chamado sertão
No canto seco da solidão
La é poço vazio, com sede de gente de bem!
Onde sorrisos vão e vem

E quem riu da sua sede?
Riu das minhas palavras
Água que cura, mata
O velho homem da cachaça

E não é só sede dessa droga de água-ardente
É sede de vida!
Fugindo do inferno quente
Escutando a voz perdida

Era um caniço no deserto
Gafanhoto e mel silvestre
Humildade até na veste
Humildade cabra da peste

Que fala palavras duras
Palavras de salvação
Apontando os erros
Das pessoas desse nosso sertão

Esse João ninguém
Falou de você para mim
Que quem é maior nada tem
Pois fica na espera só de um fim

Bom Senhor do Bom Começo
Tenho esperança no meu bom fim
Quando o corpo ao pó desço
Lembrando que agora sou salvo sim.

Para beber da fonte
Para beber da paz
Para subir aos céus
Para rir de satanás

Mas enquanto eu não desço
Agora não paro de falar
Que não preciso de água ardente
Para poder me alegrar

Canto e sou Feliz
Feliz nesse sertão
Onde a seca faz o “homi”
E o”homi” faz a canção.