Doce aurora dos mágicos segundos
Em que eu estive com você na manhã de um futuro
Na península da vida à beira mar.
Vasto tempo em meus sonhos,
Nos breves, mas largos minutos, que eu desejava que fossem eternos.
A poetisa maresia criava rimas com os seus sorrisos soltos
De tanto soprar lento me senti mais perto do céu
Perto do Criador ao lado da mais linda criação.
Brincadeiras do ar mais puro da dor
Do futuro que não existe
Brincadeiras no arpoador.
Parte de um canto solfejado
Parte de escalas maiores com alterações menores
Na rima de um mundo desafinado
Que canta mal quando não observamos nós dois
Felizes num futuro isolado
E por falar em nós, digo que:
Neste poema não há culpados
Nesta canção que só tem arranjos
Que por acaso não foram harmonizados
Igual a uma bossa sem Jobim
Igual ao seu reflexo, em um espelho quebrado
Por isso não culpo, mas devolvo o cargo a Deus.
E é ELE o criador
Detentor do tempo e da razão
Aquele que nos criou e viu você esculpida em gelo
Trancada à 7 chaves nos 7 dias da criação
Para você, ápice da perfeição, digo:
Saudades do nosso futuro que ainda não chegou.
Viva! As auroras no arpoador.
Por: Pedro Reiche.

